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A tecnologia já existe, agora é só aplicar

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A tecnologia já existe, agora é só aplicar

06 outubro, 2016
Por : Instituto IDD
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BIM, CIM e realidade aumentada. Vem com o Professor do IDD, Bruno Soares de Carvalho, conhecer mais sobre as possibilidades destas tecnologias dentro da construção civil.

 

Muito tem se falado nos últimos anos sobre novas formas de se projetar ou gerenciar obras voltadas para a cadeia da construção civil. Essa nova demanda também é conhecida como TIC´s ou Tecnologia da Informação e Comunicação para Construção.

A indústria da construção civil é conhecida por ser um ambiente no qual prevalecem serviços artesanais com mão de obra desqualificada e com baixos investimentos em capacitação por parte do empresariado em sua equipe. O resultado disso é uma estagnação tecnológica com pouca aderência a mudanças e uma indústria extremamente tradicional e de baixa inovação.

Esse panorama começou a mudar nos últimos cinco anos, muito em virtude de novas tecnologias que começaram a desembarcar no mercado AECO (Arquitetura, Engenharia, Construção e Operação) possuindo características específicas para a cadeia da construção civil. Um forte exemplo disso é o início da adoção do uso do BIM (Building Information Modeling)

O BIM é uma ferramenta utilizada através de softwares dedicados ao desenvolvimento de projeto, acompanhamento de obra e operação da edificação. Sua chegada está revolucionando o mercado da construção civil por sua característica de construir um modelo de informação da edificação através de parâmetros informacionais com características colaborativas e utilizadas em várias dimensões. 

Ou seja, os projetos deixam de ser realizados individualmente por um projetista em uma prancheta eletrônica CAD que gera seus diversos arquivos e depois os submetem ao cliente, passando a ser construído em um arquivo único chamado de modelo.

Este modelo é compartilhado de maneira colaborativa entre os diversos projetistas simultaneamente. A visualização passa a ser mais realista uma vez que o projeto ganha três dimensões geométricas, a chamada visualização 3D. São agregados ao projeto informações sobre cronograma e simulações de execução e montagem, chamados nessa fase, de 4D. Recursos financeiros vinculados ao orçamento da obra também podem ser embutidos como informações, criando-se a quinta dimensão ou 5D. Outras dimensões como desempenho térmico e acústico, entre tantas outras opções, podem ser incorporados potencializando o modelo a uma condição "n" dimensional

Devido a parametrização do modelo, informações como quantitativos cortes e elevações podem ser extraídas de maneira simples através de poucos comandos no software, o que facilita o entendimento da complexidade da edificação.

 

E como essa tecnologia BIM se relaciona com o CIM (City Information Modeling)?

O CIM é a ampliação deste ambiente BIM para as cidades, chamado também de modelo de informação para cidades. A adoção do CIM ainda é pouco usual na máquina do Estado e requer investimentos em TI por parte do governo, mas a contrapartida é que a qualidade da informação a ser gerenciada passa a ser potencializada. Entre os principais desenvolvedores de softwares CIM temos Bentley, Trimble, Esri e Autodesk

Um exemplo sobre essa aplicação é o seguinte. Imagine que o governo, a partir de um dado momento, somente aceitará projetos elaborados em BIM. Com isso a prefeitura irá criar uma base de dados de novas edificações modeladas em BIM e desta forma, terá em suas mãos informações de cada edificação concentradas em um único modelo ou arquivo que compõe todas as disciplinas. Ou seja, a edificação completa em formato digital.

Além das características da edificação também poderão ser inseridas e confrontadas informações provenientes de outras organizações públicas como cartórios, polícia e concessionárias de energia e água. Isso possibilitará que sejam disponibilizadas no modelo CIM, informações como documentos de registro de imóveis, alvarás de funcionamento, licenças de corpo de bombeiros, demanda energética e consumo de água. O CIM ainda pode trabalhar questões relativas à poluição ambiental e ilhas de calor, além de monitoramento e controle de enchentes em rios urbanos. Tudo isso à disposição do governo para gerenciar a cidade.

Todas essas informações deverão ser integralizadas em uma central da prefeitura, de onde ocorrerão ações de monitoramento, controle e planejamento coletivo da cidade. Além de discussões sobre planos diretores e desempenho do tráfego urbano, o que poderá levar a cidade à um patamar de Smart city.

No caso deste exemplo a prefeitura precisará lançar esses diferentes modelos BIM em um grande mapa da cidade no formato 3D GIS (Geographic Information System) gerando desta forma o modelo CIM

As cidades se comportam como um sistema complexo e dinâmico e com interações entre o seu ambiente e os habitantes, que se adaptam às circunstâncias de maneira holística. O modelo CIM teria dessa forma, ferramentas para solucionar parte do ciclo operacional de uma cidade que por si só é um ambiente complexo com diversas variáveis. Isso apresenta um novo conceito chamado de Smart City, no qual o controle das cidades passa a interagir com a população de maneira rápida e eficiente.

Tecnologia para isso já existe. Mas o que enxergamos são estas ações não colocadas em prática em virtude da necessidade de investimento inicial e também devido a burocracia enraizada nas repartições públicas. Mas vamos incrementar um pouco mais esta discussão do nosso exemplo, acrescentando ao modelo CIM a realidade aumentada.

 

 

Falando de realidade aumentada

A realidade aumentada é uma tecnologia que já existe há algumas décadas em formatos indigestos, mas que nos últimos quatro anos passou a ganhar uma harmoniosa tela de interação com usuários nos smartphones, tablets e óculos inteligentes. Abriu espaço entre os grandes desenvolvedores de softwares, tendo como grande oportunista desta tecnologia o jogo destinado a smartphone, chamado de Pokemon Go, lançado mundialmente no ano de 2016 e que colocou essa tecnologia como vitrine para outros segmentos. A construção civil passa a ser uma das indústrias com grande potencial de uso da tecnologia de realidade aumentada.

Gadgets como Laforge Shima, óculos de realidade aumentada, estão começando a entrar no mercado corporativo, além de outros desenvolvedores como Microsoft HoloLens, Sony Smart Eyeglass e até mesmo o Google Glass, que provavelmente irá repensar seu produto em breve, visto que a primeira leva não teve o desempenho esperado, além de uma dezena de grandes players que começam a invadir a vida de uma população cada vez mais conectada.

Capacete produzido pela DAQRI  | Imagem retirada do site do grupo

Como é possível utilizar a realidade aumentada na construção civil conectando com o BIM e CIM? Vamos começar com o exemplo da parte operacional de uma obra. Um determinado operário utilizando, por exemplo, um capacete Daqri Helmet ou algo similar. Este equipamento nada mais é do que um capacete de serviço operacional com um visor no qual o usuário consegue enxergar além do ambiente, informações digitais que são projetadas neste visor/display.

Neste caso as informações projetadas pelo capacete podem ser a projeção parcial do modelo BIM relativo à parte hidráulica da edificação, indicando o passo a passo sobre como deverá ser instalado a tubulação. Desta forma projetos em papel começam a perder espaço para novas tecnologias que possuem maior precisão de informações, além da possibilidade de se realizar transmissões ao vivo do local do problema para uma equipe técnica remota distante da obra que poderá orientar o operário sobre qual ação deverá ser tomada. 

Operações de treinamento passam a ser muito mais efetivas com este tipo de tecnologia, pois possibilitam que operários executem suas habilidades diretamente com mãos à obra no produto, uma vez que as informações disponíveis no visor do capacete facilitam o manejo de objetos e ferramentas. Possibilitando um enorme patamar de novas interações

Outro exemplo extrapolado para o ambiente CIM vinculado à realidade aumentada é a situação de operações rotineiras de salvamento, efetivadas pelo corpo de bombeiro ou pela polícia. Com capacetes inteligentes que possuam informações embutidas no visor, o oficial pode receber a informação de um determinado sinistro de fogo ou mesmo a ficha policial de uma pessoa. O importante é que informações da cidade podem ser disponibilizadas em um display no qual não é necessário o uso excessivo das mãos para acessá-lo, facilitando a operação em condições adversas por ter as mãos livres para a ação.

Quando o oficial chegar à edificação, como o projeto estará cadastrado em BIM no arquivo on-line da prefeitura, a planta da edificação poderá ser projetada no visor do capacete do oficial para facilitar a indicação de rotas de fugas por exemplo, entre diversas informações que a própria corporação pode utilizar para agilizar qualquer processo de salvamento. Este é um exemplo futurístico, mas realista visto que tecnologia para isso já existe.

Outro exemplo é a manutenção de redes enterradas por concessionárias públicas. A realidade aumentada juntamente com o CIM, podem proporcionar o atendimento e manutenção com menor intervenção e abertura de buracos, além da compatibilidade entre as diversas instalações enterradas. As possibilidades referentes ao uso do conjunto BIM, CIM e AR (Augmented Reality ou Realidade Aumentada) são diversas.

Esse complexo mundo matrix tecnológico já nos cerca por todos os lados, basta agora aplicarmos isso à construção civil para que nossos projetos, obras e serviços técnicos possam ser mais rápidos e rentáveis. Além de trazerem maior valor ao produto ofertado, focando sempre na satisfação do cliente e em aspectos éticos de nossa sociedade.

Se você não está habituado com essas novas tecnologias não significa que não possa aprender e em pouco tempo incorporar isso ao seu cotidiano. Tentamos desmistificar esse conceito de maneira simples para que este texto possa incentivá-lo a iniciar uma jornada repleta de novas tecnologias que já existem e estão à disposição do mercado, esperando apenas por iniciativas de implementação dentro da construção civil

Um bom começo nesta jornada é a capacitação ofertada pelo Grupo IDD em seus cursos de pós-graduação e em especial no novo curso ofertado, que foca justamente nesse viés tecnológico. Saiba mais sobre a especialização em "Gerenciamento na Indústria da Construção Civil com a Aplicação da Metodologia BIM", e planeje-se!

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Texto do Prof. Bruno Soares de Carvalho, doutorando em construção civil, membro do grupo TIC - UFPR, gerente de engenharia - Aiza Engenharia e colaborador do Projeto IDD Conteúdo, com produção de matérias para o blog do IDD News.

 

Fontes: laforgeoptical | microsoft | daqri | bentley | construction.trimble | esri | autodesk

Imagens: daqri

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