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Tudo sobre industrialização e pré-fabricação na construção civil - Parte III (Final)

  • Tudo sobre industrialização e pré-fabricação na construção civil - Parte III (Final)

Tudo sobre industrialização e pré-fabricação na construção civil - Parte III (Final)

13 abril, 2017
Por : Instituto IDD
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Vem saber tudo sobre o assunto com a terceira parte do conteúdo do Professor e Engenheiro Marcus Sterzi, para o IDD News.


Ao longo dos próximos meses estarei apresentando assuntos relacionados ao Gerenciamento de Obras e Projetos, Planejamento de Obras e Canteiros, Building Information Modeling (BIM) e Lean Construction através do blog do IDD News.

Nesta quinta postagem será concluído o tema industrialização e a pré-fabricação na construção civil.
 

BARREIRAS À APLICAÇÃO DA PRÉ-FABRICAÇÃO

A implantação da pré-fabricação é uma tarefa que envolve, normalmente, altos investimentos de capital, proporcionais aos rendimentos de produtividade almejados. Deverá, portanto, existir uma demanda por construções contínuas e níveis compatíveis com o total de investimentos realizado, que só poderão ser amortizados de forma viável através de sucessivos ciclos de construção. 

A viabilidade desses altos investimentos pode facilmente ser comprometida, considerando que a atividade de construção apresenta a característica típica de forte dependência do comportamento do setor econômico como um todo. O comportamento oscilatório e as incertezas inerentes da economia podem fazer do negócio um investimento de risco considerável.

Outro aspecto que muitas vezes inviabiliza a adoção da pré-fabricação na construção, são as dificuldades para se adaptar um projeto de construção convencional à um sistema construtivo pré-fabricado. Isso geralmente requer um estudo super detalhado do projeto, consumindo grande quantidade de recursos.

A característica dos elementos pré-fabricados também pode criar certas dificuldades ao projetista que quer evitar produzir uma arquitetura massificada. Isso faz com que muitos profissionais e consumidores sejam refratários ao uso de processos de construção com componentes pré-fabricados. Sem falar na intercambialidade desfavorável entre os elementos que o mercado oferece, já que, na maioria das vezes, os sistemas ou subsistemas da edificação são incompatíveis entre si.

O governo britânico, segundo Phillipson (2013), patrocinou um estudo para levantar as potenciais barreiras ao uso da pré-fabricação e a partir dele traçar estratégias para ultrapassar as eventuais barreiras levantadas. Este estudo voltou-se, particularmente, a como minimizar as barreiras através da otimização de fatores econômicos, sociais e ambientais que envolvem o processo construtivo da habitação.

Os autores identificaram as seguintes barreiras a serem ultrapassadas: 

•  Imagem geral;
•  Desempenho percebido;
•  Expectativa do cliente;
•  Valor percebido;
•  Cultura da indústria, e;
•  Conhecimento do produto.

 

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BENEFÍCIOS DA PRÉ-FABRICAÇÃO

Com uma evolução tecnológica cada vez mais acentuada e difundida; uma população maior, melhor formada e informada; e mercados globalizados com consequente competitividade entre empresas, é natural que nem todas as áreas sobrevivam as pressões internas e externas.

Nesse contexto, a construção se depara com um desafio para inovar em suas práticas e melhorar o seu desempenho em termos globais. Aqui, a pré-fabricação tem capacidade de fazer a diferença na indústria da construção civil em termos econômicos, sociais e ambientais. E é necessário dar enfoque ao que ela pode oferecer à indústria ao traçar linhas mestras para a implantação do desenvolvimento desejado.

Observação: As características de sustentabilidade da pré-fabricação também podem ser qualitativamente apresentadas como mais favoráveis quando comparadas com métodos tradicionais, porém, o seu desempenho quantitativo ainda está por ser definido.

1. Vantagens do Processo de Pré-Fabricação na Indústria da Construção

Obviamente, para cada nova técnica de construção desenvolvida, devem existir benefícios incorporados a ela, de forma que os construtores considerem tais benefícios na hora de escolher a melhor opção a ser adotada no seu processo construtivo.

Investigando o desenvolvimento de elementos pré-fabricados pode-se observar que o fundamento dessa técnica é propiciar uma redução no custo da obra, através da produção em massa. Isso faz de todas, ou certas partes do processo construtivo, similares à operação de uma indústria convencional (nesse caso, industrialização da construção) que resulta na eficiência do processo como um todo. 

Portanto a pré-fabricação representa uma parte essencial para a melhoria do processo construtivo, contribuindo com vários aspectos positivos para a execução de empreendimentos. A seguir você confere algumas vantagens obtidas pela indústria da construção ao adotar ou incluir a pré-fabricação no seu processo:

•  Aumento da produtividade: a introdução de novas ferramentas e/ou rotinas de trabalho, conjugadas com a simplificação de tarefas, permite que se alcance maior produção, mantendo a quantidade de horas de trabalho dos operários;

•  Melhoria do controle de qualidade do processo de produção e do produto final: através da introdução de métodos de controle de produção - provenientes da indústria convencional e do aumento da qualidade dos produtos com a redução da variabilidade - os materiais pré-fabricados apresentam melhor desempenho de suas características graças às condições e controles empregados durante a sua execução; 

•  Diminuição de desperdícios durante o processo de produção: as características do processo de produção contínuo e estável - produção em massa com alta eficiência - propiciam um aproveitamento maior de matérias-primas, reduzindo os custos finais dos produtos;

•  Redução de prazos de construção: a adoção de uma estratégia de produção em paralelo entre o canteiro de obras e a rede de fornecedores (que pode ser apenas uma fábrica, ao invés de várias) possibilita uma montagem final simples e rápida em obra, com um consequente custo de construção menor e um retorno antecipado do capital investido. Essa característica da pré-fabricação tem implicações bastante positivas do ponto de vista da satisfação do cliente;

•  Gerenciamento do processo construtivo facilitado: esse aspecto positivo da pré-fabricação provém da consequência de um menor número de operários em obra e da simplificação das operações no local da obra, o que torna as estimativas sobre o processo de construção, mais previsíveis e mais confiáveis; 

•  Melhoria das condições de trabalho: com menos trabalhadores em obra, menos desperdícios gerados, eliminação de tarefas perigosas, melhor coordenação e processos mais simples de serem executados, o ambiente de trabalho torna-se mais atrativo e saudável.

2. Mudanças em Relação ao Processo Tradicional

Algumas mudanças podem ser observadas no processo de construção quando se adota a pré-fabricação em relação ao processo construtivo convencional, tanto em novas características dos componentes da edificação quanto ao processo de colocação desses componentes na obra. Dentre essas mudanças podem-se relacionar as seguintes:

•  Maior quantidade de trabalho agregado aos componentes pré-fabricados: a prévia produção do componente agrega valor a ele por ser mais elaborado e mais caro. Por sua vez isso traz implicações econômicas importantes, uma vez que amplia as possibilidades de desenvolvimento tecnológico da indústria de produção dos pré-fabricados e faz dessa nova indústria muito mais lucrativa do que produtores de materiais convencionais;

•  Maior nível de prévio acabamento dos elementos pré-fabricados: essa mudança carrega um significado adicional. Um maior nível de prévio acabamento resulta em uma maior possibilidade de constância do produto final, uma vez que o seu ambiente de produção, sua qualidade e o processo de obtenção, são alvos de rigorosos controles. Além da variabilidade de operações de montagem em obra ser muito menor do que na produção artesanal convencional;

•  Maior precisão dimensional dos componentes: a característica é basicamente uma condição para o rendimento adequado da pré-fabricação. Essa propriedade dos elementos pré-fabricados é normalmente refratária a soluções locais para o ajuste de variabilidades dimensionais. E isso faz com que a capacidade de trabalhar com tolerâncias dimensionais seja fundamental à maior economia de produção dos componentes e à manutenção de simplicidade e facilidade de montagem dos elementos em obra;

•  Maior dimensão unitária dos componentes: a pré-fabricação estimula a agregação de maior quantidade de prévios trabalhos sobre os componentes da edificação, o que resulta frequentemente em produtos mais sofisticados e maiores;

•  Mão de obra e qualidade: na construção convencional a qualidade final tem forte dependência da habilidade do trabalhador, enquanto que os processos de pré-fabricação têm forte suporte das atividades de supervisão e controle de qualidade, o que resulta normalmente em produtos finais com maior qualidade

 

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TENDÊNCIAS FUTURAS

1. Desafios do Presente

Pesquisas realizadas no Reino Unido indicam que as empresas precisam se concentrar mais em como tornarem-se mais eficientes e como melhorar a qualidade dos seus produtos para satisfação dos clientes, através da:

•  Redução dos custos de construção;
•  Melhoria dos seus processos;
•  Foco na construção sustentável;
•  Investimento em inovação;
•  Desenvolvimento de parcerias com fornecedores estratégicos, criando uma saudável competição no mercado.

Nestas pesquisas a pré-fabricação foi indicada como sendo a melhor forma de se atingir as melhorias referidas.

A indústria da construção necessita avaliar a maneira como ela opera, e especificamente considerar as oportunidades que existem para a melhoria do processo e geração de produtos com maior valor agregado.

A pré-fabricação tem potencial de fazer a diferença na indústria da construção em termos econômicos, sociais e ambientais. O que se faz necessário é o estabelecimento da diferença que ela traz, para que o seu desenvolvimento seja implantado de forma adequada.

2. Mudanças de Paradigma do Mercado

Uma mudança de paradigma por parte do mercado consumidor poderá ser determinante, a medida que grandes clientes exigirem apenas obras pré-fabricadas, pela rápida execução e garantia de um retorno do capital investido em menor tempo. Assim, esses grandes clientes poderão se tornar mais competitivos nos seus mercados de atuação.

Uma segunda vertente coloca em questão o possível desaparecimento dos sistemas fechados de pré-fabricação. A tendência é uma aproximação cada vez maior de sistemas abertos, devido à sua maior flexibilidade em oferecer produtos ao mercado, como por exemplo, o fornecimento de banheiros e cozinhas prontas e painéis arquitetônicos de fachada.


CONSIDERAÇÕES 

Por um lado, é preciso difundir a técnica de pré-fabricação sob o ponto de vista de suas vantagens para o processo construtivo. Por outro, a falta de formadores nas instituições de ensino faz com que a técnica (p.ex. de concreto pré-moldado) seja pouco conhecida e dominada pelos técnicos, e consequentemente pouco usada. Não existe uma formação acadêmica consistente nas disciplinas de estruturas de aço e em cálculo de estruturas pré-moldadas.

Já no mercado, o emprego recente de painéis arquitetônicos e banheiros prontos pré-fabricados tem como fundamento as necessidades de maximização da eficiência dos métodos e procedimentos adotados na construção civil, a partir de um novo paradigma. Sob este ponto de vista, quatro aspectos principais podem ser destacados entre as propostas metodológicas para se atingir a eficiência em referência, a saber:

•  O uso da pré-fabricação na maior parte possível de partes do edifício; 
•  A crescente conversão do canteiro de obra em local de montagem de partes pré-fabricadas;
•  A máxima racionalização dessa montagem;
•  A administração da produção e o controle dos processos no canteiro, particularmente no que se refere às relações comerciais com terceiros e às entregas dos diversos insumos, desde projetos até materiais e serviços, são amplamente favorecidos dentro desta metodologia.

Tentativas isoladas de empresários de implantar sistemas construtivos com a fabricação dos seus próprios elementos pré-fabricados, são infrutíferas se não integrarem diversos subsistemas, elementos ou componentes, tendo entre outros cuidados, o de gerenciar seus projetos e a execução da obra no sentido de melhor racionalizar o emprego da pré-fabricação. Elevados custos de homologação de novos sistemas construtivos, políticas habitacionais não constantes e a consequente descontinuidade da produção, têm sido reclamações dos investidores da cadeia produtiva da construção civil. E isso tem impedido em parte o desenvolvimento de inovações tecnológicas no âmbito da Pré-Fabricação.

A adoção da técnica de pré-fabricação pode aumentar a eficácia global do processo construtivo, caso:

•  A pré-fabricação seja utilizada na maior parte possível de partes do edifício;
•  Haja a crescente conversão do canteiro de obra em local de montagem de partes pré-fabricadas;
•  Ocorra a máxima racionalização dessa montagem;
•  A conversão do canteiro em local de montagem possibilite melhor administração da produção e o controle dos processos no canteiro.

As vantagens da pré-fabricação estão essencialmente ligadas às economias de tempo, produção padronizada, custos reduzidos e o produto final com maior qualidade. É necessária a cooperação entre investidores da área e pesquisadores a fim de avaliar essas vantagens para o desenvolvimento e aplicação da pré-fabricação.

No campo da Pré-Fabricação, o que ocorre normalmente é um círculo vicioso: não se constrói porque não há insumos tecnológicos, e não há insumos porque não se empregam os pré-fabricados em larga escala, havendo portando a necessidade de difusão da tecnologia.

Exemplos de sucesso são fundamentais. Se os principais obstáculos forem eliminados, o desenvolvimento da pré-fabricação na construção poderá, então, ser mais rápido.

Não basta simplesmente pré-fabricar, se não tirarmos proveito das possibilidades oferecidas (qualidade, precisão dimensional e redução das atividades de fluxo). Ao contrário, a pré-fabricação se constitui em entrave para a industrialização da construção.

 

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Texto do Prof. Eng. Marcus Sterzi, MSc - Sócio Consultor pela LD Consulting - e professor do Instituto IDD. Colaborador do Projeto IDD Conteúdo, com produção de matérias para o blog do IDD News.

Imagem: trendsideas

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